- Admissão de culpa e responsabilidade única da Alemanha pela ocorrência da Grande Guerra
- Proibição da união entre Alemanha e Áustria
- Compromisso de reparações financeiras a definir (especialistas falam em uma quantia superior a 20 bilhões de dólares)
- Concordância com julgamento internacional do Kaiser e de outros líderes de guerra
- Devolução da Alsácia e da Lorena à França
- Cessão de Eupen-Malmedy à Bélgica, de Memel à Lituânia e do distrito de Hultschin à Checoslováquia
- Entrega da Poznania, Silésua setentrional e Prússia oriental à Polônia restabelecida
- Entrega das possessões ultramarinas na China, África e Pacífico
- Transformação de Danzig em cidade livre
- Desmilitarização permanente e ocupação aliada por 15 anos da província do Reno
- Limitação do Exército Alemão a 100.000 homens, para segurança interna, sem tanques, sem artilharia pesada, sem suprimentos de gás, sem navios ou aviões
- Limitação da Marinha Alemã a belonaves inferiores a 100.000 toneladas e proibição de submarinos
Impossível
– Finalizado pelos aliados em abril, após quatro meses de deliberações
de 70 delegados de 27 países – nenhum dos derrotados –, o documento foi
entregue às autoridades alemãs no dia 7 de maio, com um prazo de
resposta de três semanas. Ao chegar à delegação de paz germânica,
liderada pelo conde Brockdorff-Rantzau, os termos do pacto causaram
revolta. “Perdemos o fôlego quando lemos as exigências que nos foram
feitas, a violência vitoriosa de nosso inimigos. Quando mais penetramos
no espírito desse tratado, mais nos convencemos que é impossível levá-lo
adiante”, respondeu o conde, devolvendo aos aliados uma contraproposta
com nove itens e requisitando ainda uma audiência para discutir outros
termos detalhadamente. Inflexíveis, os vencedores, em documento assinado
pelo primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, rejeitaram o pedido
de encontro e ignoraram a absoluta maioria das ponderações tedescas. “O
protesto da delegação germânica mostra que eles não entendem a posição
que está a Alemanha hoje”, disparou Clemenceau.
Contudo,
os alemães se mantinham firmes na decisão de não assinar o documento,
justificando ser um peso que a população não poderia suportar. No início
do mês de junho, as negociações chegaram a um preocupante impasse, o
que fez, no dia 16, os aliados soltarem uma ameaça que aterrorizou os
germânicos: caso os derrotados não subscrevessem o tratado no prazo de
uma semana, Estados Unidos, França e Grã-Bretanha retomariam as ações
militares contra a Alemanha. O conde Brockdorff-Rantzau, então,
aconselhou as autoridades provisórias, que se reuniam na Assembleia
Nacional em Weimar para criar uma nova e democrática Constituição para o
país, a autorizar a ratificação dos termos dos aliados. Dito e feito,
estabeleceu-se para a assinatura do tratado o dia de 28 de junho.
Simbólica, é a mesma data em que, na folhinha de 1914, o estudante
sérvio Gavrilo Princip alvejou o arquiduque Francisco Ferdinando,
herdeiro do hoje defunto Império Austro-Húngaro – balázio que acendeu a
fagulha da Grande Guerra.
Insatisfação generalizada –
Curiosamente, o Tratado de Versalhes desagradou igualmente vencidos,
vencedores e observadores neutros. Para os especialistas independentes, o
documento, punitivo em excesso, teria se distanciado demais da aclamada
proposta de catorze pontos do presidente Woodrow Wilson, que
fundamentou o armistício. Para os franceses, porém, todo o castigo ainda
foi pequeno. O Tratado de Versalhes não atendeu por completo a sede de
vingança dos gauleses, que sofreram a invasão alemã em seu território,
vitimando mais de 400.000 civis. Clemenceau, por exemplo, queria que a
província do Reno, de indústria historicamente pujante, fosse retirada
da Alemanha para evitar um novo fortalecimento do país. Wilson e o
primeiro-ministro britânico David Lloyd George vetaram a proposta,
determinando, em contrapartida, uma ocupação militar aliada na região
durante 15 anos.
Mesmo
com o veto às exigências de Clemenceau (a quem apelidou de “Napoleão” e
“Jesus Cristo”), Lloyd George achou a carta em demasiado pesada – suas
exigências poderiam, ao invés de apaziguar a Alemanha, incitá-la ainda
mais contra os aliados. E é esse o único ponto que parece ter se tornado
unanimidade em Versalhes. O indefinido futuro europeu ao fim da “guerra
para acabar com todas as guerras” toma ares sombrios. Seja nas palavras
de Lloyd George, já antecipando novos problemas com a Alemanha, ou no
clamor da publicação holandesa Algemeen Handelsblad, cujo
editorial grita que “a Alemanha acorrentada e escravizada será sempre
uma ameaça à Europa”, todos têm em mente um só pensamento – e ninguém
melhor que o supremo comandante aliado, marechal Ferdinand Foch, para
externá-lo. Com seu pragmatismo característico, ele sentenciou, após a
notícia da assinatura do Tratado de Versailles: “Isto não é a paz. É
apenas um armistício válido pelos próximos vinte anos.”
Aliados e Alemanha assinam Tratado de Versailles – Documento
obriga derrotados a assumir total e única responsabilidade pela guerra
– Caráter excessivamente punitivo traz críticas e desconfiança
| Autoridades reunidas: Lloyd George, Vittorio Emanuele Orlando, Georges Clemenceau e o americano Woodrow Wilson |
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1871, o Palácio de Versailles abria, constrangido, sua famosa Galeria
dos Espelhos para as solenidades em comemoração à acachapante vitória
germânica na Guerra Franco-Prussiana. Ali, em pleno coração da derrotada
França, Otto von Bismarck finalizava a unificação do estado alemão e
proclamava o Império Germânico, rascunhando o destino de uma nação cujo
poderio militar parecia não conhecer limites – mas que a História,
quatro décadas depois, trataria de estabelecer. Em 28 de junho de 1919,
os alemães, agora solapados pelo fracasso na Grande Guerra, voltaram a
Versailles cabisbaixos, para assumir toda a culpa pelas hostilidades
militares e para mostrar sua disposição em reparar territorial e
financeiramente todo o estrago causado em quatro anos de batalhas.
Humilhados, também concordaram em ter sua brilhante máquina de guerra
desmobilizada e seu exército tosado e marginalizado, limitado em número e
amansado pelos inimigos. Assinado por vencedores e vencidos, o Tratado
de Versalhes decreta oficialmente o final da guerra – mas não o término
do vexame germânico.
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