Nova República
Após
o fim da Ditadura Militar começa um novo período da História do Brasil
que recebeu o nome de Nova República. O povo estava eufórico com a
nova era, muitos faziam planos de um futuro melhor, a felicidade
reinava e a esperança era grande em 15 de março de 1985, data da posse
do presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, o mineiro Tancredo Neves.
Porém na véspera, a poucas horas da posse, Tancredo foi hospitalizado
às pressas.
O
estado de saúde de Tancredo causou grande comoção nacional. Um número
grande de populares fez vigílias nos hospitais onde ele esteve
internado. Mas seu estado de saúde piorou, passando por sete cirurgias e
veio a falecer em 21 de abril de 1985, aos 75 anos de idade, de
infecção generalizada.
Sua
morte antes de tomar posse gerou um impasse. Segundo a Lei, seu vice
só poderia assumir o poder depois da posse do presidente. Todos os
brasileiros temiam que novamente os militares voltassem ao poder e
consequentemente o fim da democracia. Mas a união de todos os políticos
foi fundamental para que isso não viesse a acontecer e com um apoio
forte como esses. O vice-presidente José Sarney, assumiu o governo.
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| Plano Cruzado |
•Governo José Sarney (1985 – 1990):
Em seu governo foram restabelecidas as eleições diretas para todos os
cargos e os partidos políticos puderam se organizar e atuar livremente.
O mandato presidencial foi estendido para 5 anos, foi criado o 2º
turno nas eleições para governadores, presidentes e prefeitos de
cidades com mais de 200 mil habitantes e voto facultativo entre 16 e 18
anos, além do fim da censura a radio, TV, cinema e etc. No campo
econômico, o governo adotou uma medida de impacto no dia 28 de
fevereiro de 1986, quando foi lançado o Plano Cruzado. No começo
a população apoiou a medida, mas logo começaram a surgir os problemas.
Começara a faltar mercadorias que estavam à espera de aumento de
preços. Os empresários começaram a modificar os produtos para elevar
seu preço, os fazendeiros se negaram a vender bois pelo preço de tabela
e o valor dos aluguéis disparou. O governo se mostrou incapaz de
enfrentar a situação, provocados pelos interesses dos poderosos. No fim
desse ano, a inflação voltou a subir. O ministro da Fazenda, Dílson
Funaro demitiu-se. Seu substituto, Luís Carlos Bresser Pereira, tentou
sem êxito, acabar com a crise, e demitiu-se em 1987. Seu sucessor,
Maílson da Nóbrega, também não obteve sucesso. Em janeiro de 1989, foi
decretado o Plano Verão, que congelou os salários e preços, mas
também não deu resultado. No fim do governo Sarney, a inflação era de
mais de 70% ao mês. O fator mais importante de seu governo, porém, foi a
promulgação de uma nova Constituição em 5 de outubro de 1988.
Ela foi mais favorável ao trabalhador, que conseguiram muitas vantagens
graças aos seus representantes; ![]() |
| Confisco |
•Governo Fernando Collor (1990 – 1992):
As atenções nesse governo se concentraram no plano econômico. Zélia
Cardoso de Melo, ministra da economia, passou a ser o ponto das atenções
do governo Collor. Ela anunciou as novas medidas econômicas que
chocaram o país. Todo o dinheiro dos brasileiros depositados em bancos
ficou congelados por um período de 18 meses. Ninguém poderia sacá-lo por
motivo algum. Graças ao choque, a inflação baixou a níveis inferiores a
10% nos primeiros meses da nova gestão. Mas a principal consequência
que o Plano Collor causou foi a recessão, com queda nos salários e
aumento da miséria e desemprego. Diante disso, a ministra Zélia Cardoso
demitiu-se em maio de 1991, sendo substituída por Marcílio Marques
Moreira. No final de 1991, além da recessão, a inflação voltava a
superar níveis de 20% ao mês e continuou a crescer em 1992. Crescia a
insatisfação dos brasileiros ao seu governo. A mídia lançou a Campanha
"Fora Collor". Collor fez exatamente o contrário do que havia prometido.
Acusou Lula de querer confiscar a poupança, mas ele mesmo confiscou
não só a poupança, como também as contas correntes e outras aplicações;
disse que iria acabar com os marajás, mas instaurou-os no Palácio do
Planalto. Disse que acabaria com a inflação com um só tiro, mas após uma
pequena queda, a inflação voltou a crescer a todo vapor; disse que
acabaria com a corrupção, mas participou da maior rede de corrupção já
vista no país. No seu governo, o salário mínimo foi o mais baixo de
todos os tempos e obrigou os aposentados a saírem nas ruas para exigir
respeito aos seus direitos. Após a denúncia de seu irmão, Pedro Collor,
foi instalada pelo Congresso Nacional uma CPI (Comissão Parlamentar de
Inquérito), para investigar as denúncias. Após o depoimento do
motorista da secretária de Collor, ficou se sabendo de todo o esquema
de corrupção. Milhares de jovens saíram às ruas (caras pintadas), para
pedir a cassação de Collor. "Fora Collor" era o grito que tomou
conta do país. No dia 29 de setembro, a Câmara dos Deputados autorizou
ao Senado de julgar e processar Collor. De acordo com a Constituição,
Collor ficou afastado durante 180 dias, assumindo o vice, Itamar Franco.
Após três meses de julgamento, Collor renunciou. No mesmo dia Itamar
foi empossado novo presidente. Apesar da renúncia, o Senado continuou o
julgamento, e considerou o presidente culpado, cassando seu mandato por
8 anos;![]() |
| Plano Real |
•Governo Itamar Franco (1992 – 1995): Assumindo a presidência após o Impeachment
de Fernando Collor de Mello, o novo presidente se concentrou em
arrumar o cenário que encontrara, como recessão prolongada, inflação
aguda e crônica, desemprego, etc. Itamar procurou realizar uma gestão
transparente. Para fazer uma gestão tranquila, sem turbulências,
procurou o apoio de partidos mais à esquerda. Em Abril de 1993,
cumprindo com o previsto na Constituição, o governo fez um plebiscito para a escolha da forma e do sistema de governo no Brasil. O povo decidiu manter tudo como estava: escolheu a República (66% contra 10% da Monarquia) e o Presidencialismo
(55% contra 25% do Parlamentarismo). No governo de Itamar Franco foi
elaborado o mais bem-sucedido plano de controle inflacionário da Nova
República, o Plano Real. Montado pelo seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, o plano visava criar uma unidade real de valor (URV)
para todos os produtos, desvinculada da moeda vigente, o Cruzeiro
Real. Desta forma, cada URV correspondia a US$ 1. Posteriormente a URV
veio a ser denominada “Real”, a nova moeda brasileira. O Plano Real foi
eficiente, já que proporcionou o aumento do poder de compra dos
brasileiros e o controle da inflação. Mesmo tendo sofrido as
consequências das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) do Congresso Nacional, entre 1993 e 1994, em virtude de denúncias
de irregularidades no desenvolvimento do Orçamento da União, Itamar
Franco terminou seu mandato com um grande índice de popularidade. Uma
prova disso foi o seu bem-sucedido apoio a Fernando Henrique Cardoso na
sucessão presidencial; ![]() |
| Privatizações |
•Governo Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002): Após o sucesso do plano real, FHC,
como era chamado do PSDB foi eleito Presidente do Brasil já no
primeiro turno com larga escala de votos e tomou posse dia 1º de
Janeiro de 1995. Foi reeleito em 1998, tendo nos dois mandatos Marco
Maciel, do PFL, como vice-presidente. A política de estabilidade e da
continuidade do Plano Real foi o principal apelo da campanha eleitoral
de Fernando Henrique Cardoso e um dos fatores decisivos para sua
reeleição em 1998, sendo reeleito no primeiro turno. FHC conseguiu sua
eleição graças ao apoio do PSDB, do PFL, do Partido Progressista
brasileiro (atual PP) e de parte do PMDB, e conseguiu manter uma
estabilidade política durante seus oito anos de governo. No primeiro
mandato FHC conseguiu a aprovação da emenda constitucional que criou a reeleição para cargos executivos. O governo de Fernando Henrique Cardoso foi marcado pela privatização
de empresas estatais, como a Embraer, a Telebrás, a Vale do Rio Doce e
outras estatais. Além da privatização, seu governo também houve
diversas denúncias de corrupção, como a compra de parlamentares para
aprovação da emenda constitucional que autorizava a reeleição e também o
favorecimento de alguns grupos financeiros na aquisição de algumas
estatais. No início do segundo mandato de FHC, em 1999 houve uma forte desvalorização do real,
devido a crises financeiras internacionais (Rússia, México e Ásia) que
levou o Brasil a maior crise financeira da história, além de aumentar
os juros reais e aumentar a dívida interna brasileira. Alguns dos
programas sociais criados no governo de Fernando Henrique Cardoso foram a
Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e o Vale Gás. No governo de FHC entrou
em vigor a lei de responsabilidade fiscal (LRF) que se caracterizava
pelo rigor exigido na execução do orçamento público, que limitava o
endividamento dos estados e municípios e os gastos com o funcionalismo
público. Os salários dos funcionários públicos também não tiveram
reajustes significativos, uma forma de evitar a inflação e controlar os
gastos públicos;
•Governo Lula (2002 – 2010):
Luís Inácio Lula da Silva ou simplesmente Lula, ex-operário e
retirante nordestino conseguiu realizar um feito histórico na
trajetória política do país. Pela primeira vez as esquerdas tomariam
controle da nação. Entre as primeiras medidas tomadas, o Governo Lula
anunciou um projeto social destinado à melhoria da alimentação das
populações menos favorecidas, o “Fome Zero”. Essa seria um dos
diversos programas sociais que marcaram o seu governo. Os outros foram
o Bolsa-Família, Pro-Uni, Brasil Sorridente, Farmácia Popular, Luz
Para Todos, entre outros, que beneficiaram aos pobres e miseráveis e
contribuíram para melhorar a distribuição de renda. A ação
assistencialista do governo se justificava pela necessidade de diminuir
o problema da concentração de renda no país. Tal medida inovadora foi
possível graças à continuidade dada às políticas econômicas do governo
FHC. O combate à inflação, a ampliação das exportações e a contenção de
despesas foram algumas das metas buscadas pelo governo. No entanto, o
crescimento econômico do Brasil não foi capaz de acontecer sem a
corrupção. No ano de 2005, o governo foi denunciado por realizar a
venda de propinas para conseguir a aprovação de determinadas medidas. O
esquema ficou conhecido como “Mensalão”. Em meio a esse clima, o
governo Lula conseguiu vencer uma segunda disputa eleitoral. Durante
seu segundo governo, a economia brasileira cresceu a passos largos. A
inflação caiu para menos de 5% ao ano, o superávit comercial atingiu
US$ 252 bilhões, as reservas internacionais líquidas passaram de US$ 16
Bilhões para US$ 285 Bilhões, o Brasil se tornou credor externo, com
um saldo positivo de US$ 65 Bilhões, algo inédito na História do país, e
reduziu a taxa de desemprego de 10,5% para 6,8%, pagou toda a dívida
com o FMI e com o Clube de Paris e o Brasil se tornou
credor do FMI, algo inédito na história do país, para quem emprestou
US$ 10 Bilhões. Hoje, a dívida externa líquida é negativa em US$ 65
bilhões. Na política externa, aproximou-se dos países da África, da
América Latina e do G-20. Teve participação ativa no Conselho de Segurança
da ONU com o envio de tropas para a pacificação do Haiti. Conseguiu
também trazer para o Brasil a Copa do Mundo da FIFA em 2014 e as
Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016.
Apesar da estabilidade política dos dois
governos acima mencionados, os casos de corrupção também se fizeram
presentes, como as acusações de compra de votos para a reeleição durante
o governo FHC, em 1998, e o escândalo do mensalão, no governo Lula, em
2005.
A alternância do poder garantiu ainda a
eleição da primeira mulher para a presidência da República, em 2010.
Esse é um dos mais marcantes fatos da recente história republicana
brasileira.
Fonte: Brasil Escola





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