Anna Saggioro Garcia - Março 2010
1. Introdução
Os
conceitos de hegemonia e imperialismo são usados por autores
representantes dos três principais paradigmas das Relações
Internacionais (realismo, institucionalismo e marxismo) de formas
diferentes, muitas vezes para explicar o mesmo: o estabelecimento de uma
determinada ordem internacional sob dominação de uma potência. Algumas
vezes “dominação”, “império” e “hegemonia” são usados de maneira
intercalada, sem diferenciação; em outras, os mecanismos e meios com os
quais a ordem dominante é estabelecida e mantida se distinguem,
diferenciando uma ordem hegemônica de uma imperial. Alguns autores
enfatizam os elementos do “consenso” na construção e manutenção da
ordem, outros colocam à frente as diferentes formas de “coerção”. Ambas
as caracterizações da ordem mundial podem ser tratadas de forma
positiva (como uma liderança benévola) ou negativa (uma imposição de
poder e subordinação de uns frente a outros), dependendo das visões de
mundo e do posicionamento de cada autor.
O presente trabalho
se propõe revisar parte da literatura existente sobre os conceitos de
hegemonia e imperialismo por autores ligados a diferentes correntes de
pensamento das RI, a fim de esclarecer como e quando cada um destes
conceitos é usado. Primeiramente serão averiguadas algumas de suas
definições, para depois analisar seus usos para caracterizar o período
de dominação dos EUA após a segunda guerra mundial. Este breve ensaio
não esgota a vasta literatura existente sobre estes conceitos, tampouco
poderá fazer um estudo de caso detalhado. Propõe-se, no entanto,
explicar as diferentes caracterizações e os elementos enfatizados em
cada uma delas, procurando esclarecer parte do campo teórico do estudo
da ordem mundial.
2. Imperialismo: definições e usos
O uso do termo “imperialismo” foi, por um longo tempo,
restrito ao campo marxista. Mesmo as diversas intervenções militares
estadunidenses durante a guerra fria não suscitaram o uso do termo pelas
principais correntes de pensamento nas RI, uma vez que a situação da
guerra fria justificava as estratégias geopolíticas. Segundo Borón
(2006) e Foster (2006), o conceito de imperialismo reaparece de maneira
inesperada a partir de seu “centro”, os EUA, com a “guerra ao
terrorismo”. Os termos “império” e “imperialismo” econômico, militar ou
cultural são retomados na mídia e na academia norte-americana e
mundial, mas vistos como separados, dissociados do capitalismo, podendo
ter inclusive uma conotação benévola (Foster 2006: 432-439; Borón
2006: 461).
Durante os anos 70, um dos poucos autores
não-marxistas a trabalhar o tema do imperialismo foi Cohen (1976). O
autor aponta que o termo ficou relegado a “panfletos políticos”, sendo
necessário um método apropriado para redefini-lo, dando-lhe um
significado “bem definido, eticamente neutro e objetivo”, para que seja
útil à análise da Economia Política Internacional (Cohen 1976: 15).
Desde este ponto de partida, o autor define imperialismo como “tipo de
relações internacionais caracterizadas por uma assimetria particular — a assimetria dedominação e dependência.
[...] O imperialismo refere-se àquelas relações particulares entre
nações inerentemente desiguais que envolvem subjugação efetiva, o
exercício real da influência sobre o comportamento” (Ib.: 20, grifos no
original). O conceito seria operacional. A forma do imperialismo pode
ser o controle direto, através da extensão da soberania política, ou
indireto, com penetração econômica e pressões diplomáticas ou militares.
O
autor baseia-se no realismo para afirmar que a política de poder é
determinante da ordem internacional e a raiz principal do imperialismo
está na “organização anárquica” do sistema internacional. A anarquia vai
disciplinar o comportamento dos Estados, levando-os à busca da
maximização de sua posição de poder individual a fim de assegurar sua
segurança nacional. Desta forma, o imperialismo teria sua origem “na
organização externa dos Estados” (Ib.: 223).
A visão de Cohen
reflete o paradigma realista do sistema internacional. A expansão de
poder (territorial, econômico, político e militar) dos Estados é
justificada para manutenção de seustatus quo, o que apresenta
uma ambiguidade, uma vez que é necessário expandir e crescer para
manter a situação original de poder. A política de expansão do Estado
imperial se torna uma “escolha racional”, perdendo elementos morais e
éticos. O poder adquire conotação neutra, e a política de poder e
expansão se torna um movimento quase mecânico. As consequências da
guerra — racismo, exploração e subalternização de outras nações, povos e
classes — acabam sendo silenciadas. Observamos aqui a dissociação
entre capitalismo e imperialismo. Outros autores também buscaram o uso
historicamente específico do conceito de imperialismo e a separação de
seus aspectos econômicos e políticos (ver, p. ex., Smith 1981).
É
com os pensadores marxistas que o conceito de imperialismo será
definido de forma mais complexa e abrangente. A teoria marxista clássica
do imperialismo é de Lenin. Para este, o imperialismo do final do
século XIX é consequência direta da fase de monopólio do capitalismo nos
países avançados, ou seja, a combinação, em uma só empresa, de
diferentes ramos da indústria (Lenin 2005/1916: 19). Este
desenvolvimento leva também a uma centralização de capital-dinheiro em
alguns bancos, que passam de simples operadores e intermediários a
“monopólios onipotentes”, que dispõem do capital-dinheiro da maior parte
das indústrias, conferindo-lhes nova função: a capacidade de controle
da economia de toda a sociedade (Ib.: 31). Ao mesmo tempo, Lenin
explica que a relação entre banqueiros e industriais não está
absolutamente separada, mas, antes, há uma “união pessoal”. Se os
industriais só têm acesso a seu capital através dos bancos, também
estes precisam colocar este enorme capital em investimentos de retorno.
Assim é formado o “capital financeiro”, o capital bancário
transformado em capital industrial (Hilferding, apud Ib.: 47) [1].
Com
a formação do capital financeiro inicia-se o processo chave do
imperialismo capitalista: exportação de capital. O excedente de capital
em alguns países é exportado para nações pré-capitalistas, onde são
construídas as condições para o desenvolvimento capitalista destas áreas
(como ferrovias e infraestrutura), sempre dadas em troca de algo para
proveito próprio, impondo gastos do mesmo empréstimo na compra de
produtos do país credor. A exportação de capitais aumenta a exportação
de mercadorias e, com isso, inicia-se o alargamento e aprofundamento do
capitalismo em todo o mundo (Ib.: 64-5).
Qual é o papel da
guerra para Lenin? Enquanto ele entendia o imperialismo moderno a
partir do (sustentado pelo) capital financeiro, Kautsky (1914)
enfatizou o seu lado político. Para este, a ocupação e a submissão de
áreas agrárias produziram fortes contradições entre os países
industrializados, levando a uma corrida armamentista.
Contraditoriamente, a própria economia capitalista estaria ameaçada por
esta competição, sendo de interesse dos próprios capitalistas a união
pacífica entre os grandes Estados, se estes quisessem continuar
explorando as áreas agrárias. Kautsky previa uma translação da
cartelização do capital para a política externa: uma fase de
“ultraimperialismo” ou uma “aliança sagrada” entre Estados
imperialistas. Quanto mais durasse a guerra, mais exaustos estariam seus
participantes, fazendo-os querer evitar a repetição de conflitos
armados.
Em resposta a Kautsky, Lenin reafirmava a centralidade
do capital financeiro nesta fase do imperialismo, que mostrava
tendência de anexação não só das áreas agrárias, mas também das
industriais. O capital financeiro e os trustes acentuavam (e não
diminuíam) as diferenças entre os ritmos de crescimento dos diferentes
países e regiões da economia mundial. Com isso, “faz parte da própria
essência do imperialismo a rivalidade de várias grandes potências nas
suas aspirações por hegemonia, isto é, a [aspiração de] se apoderarem
de territórios não tanto diretamente para si, como para enfraquecer o
adversário e minar a sua hegemonia” (Lenin 2005/1916: 92). Perguntava,
então: “Como podem resolver-se as contradições, sob o capitalismo,
a não ser pela força?” (Ib.: 97, grifo no original). Uma aliança
pacífica entre as potências seria uma trégua entre guerras, gerando um
ciclo de formas de luta pacífica e não-pacífica sobre uma mesma base de
vínculos imperialistas (Ib.: 121).
Autores atuais apontam para a
necessidade de ir além das teorias clássicas do imperialismo, uma vez
que estas já são insuficientes para explicar a atual fase do
capitalismo mundial. Para Panitch/Gindin (2004), o imperialismo
demonstra ser um movimento duplo e simultâneo: o aprofundamento do
capitalismo para dentro e sua expansão para fora. Os autores afirmam
que a relação entre capitalismo e imperialismo somente pode ser
entendida a partir de uma teoria do Estado. Quando Estados
pavimentam, monitoram ou administram o caminho para a expansão de seu
capital para fora, isto só pode ser entendido em termos do papel
relativamente autônomo do Estado na manutenção da ordem social e na
garantia das condições de acumulação do capital dentro das fronteiras
(Panitch/Gindin 2004: 7). Além de compreender a predominância
conjuntural de um Estado, para a atual fase do imperialismo é necessário
entender a penetração estrutural em antigos rivais pelo Estado imperial, característica principal do que eles chamarão de American Informal Empire [2].
Para
Ellen Wood (2003), a lógica das teorias do imperialismo clássico é a
mudança de foco de operações internas nos países capitalistas avançados
para relações externas, ou interações e conflitos entre Estados
capitalistas e o mundo não-capitalista (Wood 2003: 124-8). Enquanto no
imperialismo tradicional a dominação colonial e a exploração econômica
eram transparentes, a principal caracterização do “novo imperialismo” é
a dominação não-direta, que torna as relações opacas. As formas de
coerção econômicas são diferentes da política e militar: a “compulsão” é
impessoal, opera como imposição do “mercado”. As relações são
formalmente reconhecidas e se dão entre entidades legalmente iguais e
livres, ou seja, Estados soberanos, assim como trabalhadores e patrões,
credores e devedores (Ib.: 1-4). Mas a coerção “extraeconômica” —
política, militar, jurídica — se mantém essencial, especialmente quando
ações militares dos principais países são fundamentadas pela
“neutralidade dos interesses da sociedade internacional” (Ib.: 5).
Portanto,
para entender o “novo imperialismo”, é necessário entender a natureza
da relação entre forças econômicas, políticas, militares e ideológicas
no capitalismo. Este é especialmente capaz de dissociar o econômico do
extraeconômico, porém, segundo Wood, o Estado-nação é mais essencial ao
capital que nunca. Somente ele pode ser o garantidor administrativo e
coercivo da ordem social, das relações de propriedade, da estabilidade e
previsibilidade contratual ou de qualquer outra condição básica
requerida pelo capital em seu cotidiano (Ib.: 139). Com isso, o novo
imperialismo depende cada vez mais de um sistema de múltiplos Estados e
soberanias locais, ao mesmo tempo que, para administrar este múltiplo
sistema de Estados, é necessário um único poder militar, capaz de
manter todos “na linha” (Ib.: 142), função exercida pelos EUA.
3. Hegemonia: definições e usos
O
conceito de hegemonia é usado de maneira mais abrangente do que o de
imperialismo, tendo sido incorporado em boa medida por realistas e
institucionalistas das Relações Internacionais. Império e hegemonia têm
algo em comum — o exercício da liderança —, porém há divergência sobre a
finalidade, a forma e os instrumentos com os quais esta liderança é
exercida.
Para Agnew (2005), hegemonia e império diferem no tipo
de poder e na sua organização geográfica. Se o “poder rígido” está
ancorado na coerção militar, e o soft power em valores
culturais e preferências, a organização geográfica de poder varia entre
fortemente territorial ou difusa e “enredada” (Agnew 2005: 21). A
diferença de hegemonia para império estaria na falta de comprometimento
explícito para com o bloco territorial de poder em si e no seu
embasamento em persuasão e recompensa aos subordinados. O autor define
hegemonia como a participação de outros no exercício do seu próprio
poder, “convencendo-os, bajulando ou coagindo a querer aquilo que você
quer” (Ib.: 2).
Certamente a base para esta diferenciação está
no conceito de hegemonia de Gramsci. Sua definição foi popularizada
pela equação “consenso + coerção”. As reflexões de Gramsci, no entanto,
têm como ponto de partida um questionamento específico num período
histórico concreto: como explicar a vitória do fascismo na Itália? A
complexidade e o refinamento de sua teoria advêm, portanto, da
perspectiva de uma derrota (os inimigos estavam no poder) e de uma
reflexão sobre as táticas e estratégias do inimigo, para poder
derrotá-lo.
O conceito de hegemonia de Gramsci refere-se
diretamente à sua noção de Estado de forma ampliada: sociedade política
e sociedade civil. A hegemonia se forma com a supremacia de
determinado grupo ou classe social e sua direção moral e intelectual na
sociedade civil. Este grupo exerce direção antes de chegar ao governo.
Neste momento ele se torna dominante, mas, mesmo depois de se afirmar
no poder, não pode deixar de “dirigir” (Gramsci 1971: 58). Para
Gramsci, “dominar” não é igual a “dirigir”: a direção requer certas
concessões aos grupos subordinados, para que eles “concedam” (mesmo que
indiretamente) e se tornem parte do projeto de dominação de dado
grupo.
A hegemonia pressupõe, portanto, levar em consideração os
interesses e tendências dos grupos sobre os quais a hegemonia deve ser
exercida. Isto significa que o grupo dominante terá que fazer certos
sacrifícios de tipo econômico-corporativo, desde que não toquem no
essencial de seu poder econômico (Ib.: 161). Este “equilíbrio
compromissado” faz com que o desenvolvimento e expansão do grupo particular sejam concebidos e apresentados como força-motriz de uma expansão universal. Segundo Gramsci, o Estado se torna o reflexo destes interesses particulares apresentados como universais (Ib.: 182).
A
hegemonia da classe dominante é, assim, institucionalizada no aparato
político, mas formada e sustentada na esfera na sociedade civil (Estado
ampliado). Quando a classe dominante perde o consenso na sociedade,
ela não exerce direção, mas dominação, precisando para isso exercer
força coerciva (Ib.: 272). A ideologia liberal buscou separar o Estado
da sociedade civil, afirmando que a atividade econômica pertence a ela,
e o Estado não deve intervir nem regulá-la. Mas, se ambos são parte do
mesmo, então, segundo Gramsci, “deve estar claro que o liberalismo
também é uma forma de regulação estatal, introduzida por meios
legislativos coercivos” (Ib.: 160). Hegemonia e sociedade civil são,
portanto, dois conceitos interdependentes e devem ser pensados de forma
conjunta (Buttigieg 2005).
Alguns autores críticos e marxistas
buscaram adequar o conceito gramsciano em sua complexidade para as
Relações Internacionais. No entanto, na concepção predominante na
academia norte-americana, o realismo, a visão de hegemonia é centrada
no poder do Estado em sua forma simples: instituição de autoridade
política. Um expoente do realismo, Gilpin, trata poder, hegemonia,
império e Estado dominante como sinônimos. Para ele, a história
demonstra que a guerra tem sido inevitável para solucionar tensões
geradas pelo desequilíbrio na distribuição de poder no sistema
internacional. Hegemonia é consequência inevitável da vitória de pelo
menos um Estado ou grupo (Gilpin 1981: 197-8). Segundo o autor, uma
guerra hegemônica se caracteriza por: confrontação direta entre poder
dominante e Estados revisionistas, mudanças na natureza e na governança
no sistema e meios de violência quase ilimitados (Ib.: 200). As
grandes transformações na história mundial foram derivadas de guerras
hegemônicas entre rivais políticos, cujo resultado é o reordenamento do
sistema a partir de ideias e valores do Estado vencedor (Ib.: 203).
Gilpin
afirma que marxistas e realistas compartilham da visão de que,
enquanto for possível a expansão territorial e de recursos, a lei do
desenvolvimento desigual pode operar sem alterar a estabilidade do
sistema como um todo. No entanto, quando seus limites são alcançados, o
sistema entra em crise, o que levou a uma intensificação do conflito e
ao colapso final do sistema em duas grandes guerras (Ib.: 201).
Observa-se que o mesmo processo histórico caracterizado por Gilpin como
guerra hegemônica para Lenin é denominado guerra interimperialista.
Ao contrário de Gramsci, Gilpin afirma que a tática de fazer concessões aos poderes menores para assegurar o status quo pode demonstrar um sinal de enfraquecimento do hegemon,
gerando um ciclo vicioso de demandas por mais concessões (Ib.: 207).
Este ponto expõe a diferença da concepção de hegemonia como poder
militar, político, territorial e econômico (semelhando a imperialismo),
em relação a autores que trabalham com “consenso e coerção”. Para
estes, a habilidade de construção de consenso a partir de concessões
legitimará a liderança do hegemon, que usará a coerção somente
quando necessário. Assim, as formas de concessão e compromissos
internacionais são instrumentos de legitimação do poder.
Gilpin
aponta que a paz equivale a uma “estabilidade hegemônica”, uma vez que é
assegurada e vigiada por um poder maior, que coordena a política
mundial a partir da sua visão de mundo (Ib.: 209). Também Kindleberger
(1973) aponta que a crise e a Grande Depressão dos anos 30 poderiam ter
sido evitadas se a Inglaterra tivesse tido capacidade, e os EUA
vontade política, de exercer liderança (Kindleberger 1973: 291-2).
Ambos foram incapazes de preservar o “bem público”, voltando-se para si,
privilegiando questões particulares ao invés do bem comum, que seria a
estabilidade do sistema como um todo. As visões de Gilpin e
Kindleberger deram origem à chamada “teoria da estabilidade
hegemônica”, desenvolvida posteriormente por Keohane (1993), expoente
do paradigma institucionalista das RI. De acordo com este, as
estruturas hegemônicas de poder dominadas por um só país conduzem à
formação de regimes internacionais fortes, com regras precisas e
obedecidas por todos (Keohane 1993: 111) [3]. Os regimes econômicos
internacionais fortes dependem de um poder hegemônico, ao passo que a
fragmentação do poder entre países em competição leva à fragmentação do
regime. A concentração de poder indica, portanto, estabilidade.
Keohane
afirma que poderes maiores e menores têm incentivos para colaborar
dentro de um regime internacional: “A potência hegemônica ganha
capacidade de configurar e dominar seu entorno internacional, enquanto
administra um fluxo suficiente de benefícios a pequenas e médias
potências para convencê-las de que coincidem [em interesses]” (Ib.:
115). Por outro lado, na medida em que a distribuição de recursos
(especialmente econômicos) se torna mais equitativa, aumentam os custos
do hegemon para manter estabilidade e o cumprimento das
regras, e os regimes se debilitam. Inicia-se assim um período de
transição e de instabilidade (Ib.: 116-7).
Nota-se aqui que a
hegemonia adquire uma conotação benigna. Assim como um “Leviatã” daria
fim a um “estado de natureza de todos contra todos”, também o hegemon
pode minimizar os efeitos da anarquia internacional. Desta forma, o
“bem comum” (estabilidade, paz, ordem) seria garantido. Diferentemente
de Gramsci, que, através do conceito de hegemonia, denunciava a
opressão e subalternidade de uma classe frente a outra, para estes
teóricos do realismo e do institucionalismo a desigualdade social e
internacional não é um mal em si, podendo ser “um mal necessário” para
garantir a ordem do sistema.
Autores críticos buscaram revidar a
noção de uma hegemonia “benévola”, trabalhando, a partir da teoria
gramsciana, os instrumentos de manutenção do poder na ordem mundial.
Cox (1987) define hegemonia como uma dominação de forma particular, na
qual um Estado cria uma ordem baseada ideologicamente em ampla medida
de consentimento, funcionando de acordo com princípios gerais que, de
fato, asseguram a contínua supremacia do Estado líder e sua classe
social dominante, oferecendo, ao mesmo tempo, alguma medida de
satisfação aos menos poderosos (Cox 1987: 7). Deste modo, para se
tornar hegemônico, um Estado precisa fundar ou proteger uma ordem que
seja universal em sua concepção, mas que outros Estados sintam em parte
compatível com seus próprios interesses (Cox 1993: 61).
Neste
tipo de ordem, a produção em países particulares se torna conectada ao
sistema mundial de produção. A classe dominante no Estado hegemon
encontra aliados em classes de outros países. Uma sociedade mundial
incipiente emerge no sistema interestatal, e os próprios Estados se
tornam internacionalizados, de modo que seus mecanismos e políticas são
ajustados ao ritmo da ordem mundial (Cox 1987: 7). Assim, a hegemonia
mundial se forma sobre uma sociedade civil globalmente concebida, e não
somente a partir das relações interestatais.
Um importante
mecanismo de universalização de normas da hegemonia mundial são as
organizações internacionais. Através delas são incorporadas as regras
que facilitam a expansão de ordens mundiais hegemônicas, legitimando
ideologicamente as normas desta ordem. Ao mesmo tempo, elas mesmas são
produto da hegemonia de um Estado dominante e são capazes de facilitar a
cooptação de elites dos países periféricos, bem como absorver ideias
contra-hegemônicas (Cox 1993: 62). Para Arrighi (1993), a formação de
uma hegemonia mundial está diretamente ligada à formação social
hegemônica da classe dominante no âmbito doméstico. Um Estado se torna
hegemônico mundialmente quando pode reivindicar com credibilidade que é
a força-motriz da uma expansão universal do poder coletivo de sua
classe dominante com relação a outros Estados, assim como com relação
às classes subalternas (Arrighi 1993: 151). Este tipo de reivindicação é
mais plausível em situações de caos sistêmico, onde há falta de
organização generalizada e escalada de conflitos [4]. Na medida em que o
caos sistêmico aumenta, a demanda pela instalação de ordem se
generaliza entre dominantes e dominados. Qualquer Estado em condições
de satisfazer esta demanda se apresenta como potencial hegemon (Ib.).
4. Ordem mundial capitalista após a II Guerra: Pax Americana ou American Empire?
Buscamos
apresentar até aqui algumas das diferentes definições e aplicações dos
conceitos de imperialismo e hegemonia na literatura marxista, realista
e institucionalista das RI. Estas diferenças conduzirão à
caracterização distinta do período de dominação dos EUA após a II
Guerra Mundial. Para os autores realistas e institucionalistas que
fazem uso do termo hegemonia, a Pax Americana foi uma forma
benévola de ordem mundial, na qual instituições e regimes
internacionais foram privilegiados para organizar a coesão contra a
ameaça soviética, o que, em grande medida, significou mais custos aos
EUA, se comparado a poderes hegemônicos anteriores.
Gilpin (1975)
enfatiza o papel das empresas multinacionais como principal
instrumento da hegemonia global americana, cujos outros pilares são a
posição do dólar como moeda de troca internacional e a supremacia
militar e nuclear (Gilpin 1975: 138-40). Segundo o autor, os interesses
das corporações e o interesse nacional dos EUA se sobrepõem e
complementam: a expansão mundial das corporações atende aos interesses
geopolíticos americanos, sendo elas território de controle e legislação
dos EUA, além de ajudar a atenuar o déficit fiscal do país; ao mesmo
tempo, a política externa americana apoia a expansão das empresas com
créditos, acordos comerciais e seu peso como poder hegemônico mundial
(Ib.: 146-7). Com efeito, os lucros feitos pelas companhias no exterior
ajudam o Estado americano a cobrir gastos pesados em operações
diplomáticas e militares, tendo sido essenciais para financiar a posição
hegemônica global dos EUA (Ib.: 149).
Gilpin afirma que a
construção de hegemonia através de alianças (especialmente com Europa e
Japão) [5] demandou concessões, como por exemplo a tolerância da
concorrência econômica. Instrumentos diretos de transferência de
capital, como o Plano Marshall, colocaram sobre os EUA um peso
financeiro, o que não ocorreu com a Inglaterra em seu período de auge
(Ib.: 151).
Keohane (1993) aponta que a liderança hegemônica dos
EUA durante a década de 1950 foi responsável, administrando benefícios a
seus aliados, mas também lhes impondo restrições. Os EUA fizeram
sacrifícios de curto prazo para criar uma ordem “próspera e estável” a
seu favor no longo prazo. Os interesses do “mundo livre” se combinavam
com os interesses dos EUA para determinar uma estratégia de liderança,
facilitada em grande medida pela ameaça soviética (Keohane 1993:
315-21). No entanto, a “longa década” de 50 foi frágil e curta, uma vez
que os EUA não puderam administrar bem a combinação dos interesses
particulares internos com a preocupação de manter alianças
internacionais. Keohane aponta que os EUA teriam contraído a
“enfermidade dos fortes” — a negação de ajustar-se às mudanças —,
especialmente nas áreas de finanças e petróleo, onde a política
norte-americana estava debilitada pela incoerência entre demandas
políticas internas e imperativos internacionais de longo prazo (Ib.:
347).
Ikenberry (2001) caracteriza a ordem mundial nos anos 90 como “hegemonia de acionistas”: uma forma benévola de poder (soft power)
construída pelos EUA a partir de suas instituições domésticas
democráticas, maduras, abertas, com regras previsíveis e vinculadas a
uma rede de instituições multilaterais. Através destas são estabelecidas
parcerias estáveis e vinculantes, que asseguram a ordem econômica e
militar dominada pelos EUA, ao mesmo tempo que constrangem e restringem o
poder de ação do próprio hegemon (Ikenberry 2001: 20-2).
Desta forma, a ordem hegemônica construída pelos EUA seria um espelho
de suas próprias instituições domésticas (Ib.: 19).
Este
ambiente muda com o 11 de Setembro de 2001. O termo “Império Americano”
é retomado com otimismo por neoconversadores, e a administração Bush
afirma uma “soberania contingente” e o direito de intervenção
preventiva (Ikenberry 2004). Para o autor, porém, o termo “Império” não
cabe para descrever a estrutura de dominação americana. Se, de fato,
os EUA mantiveram políticas imperiais frente à América Latina e ao
Oriente Médio, com relação à maior parte dos países a ordem mundial
teria sido um sistema negociado, em que os EUA buscaram a participação
de outros Estados em termos mutuamente acordados. O império americano
seria um “ilusão”, pois suas instituições limitam e legitimam seu
próprio poder (Ib.).
Contrariamente a esta argumentação, pode-se
afirmar que as instituições e organizações internacionais não serviram
para constranger ou limitar o poder dos EUA, senão para alcançar a
universalização de normas e expandir sua hegemonia mundial (Cox 1989;
1993). Cox aponta para dois fenômenos centrais do período da Pax Americana:
a internacionalização da produção — enquanto a força de trabalho
permaneceu fragmentada pelas múltiplas soberanias estatais — e a
internacionalização do Estado, que passou a ajustar no plano doméstico
as imposições da economia globalizada e a participar da formação do
consenso internacional estruturado hierarquicamente (Cox 1989: 244-254).
Arrighi (1993) aponta para a relativa reconfiguração do Estado, com
considerável restrição de direitos e poderes dos Estados soberanos pelas
instituições da hegemonia americana. Os princípios, normas e regras
aos quais os Estados eram submetidos aumentaram e se tornaram mais
estreitos (se comparados ao período de hegemonia britânica), enquanto o
crescente número de organizações supranacionais adquiriram mais poder
autônomo para “sobregovernar” o sistema interestatal (Arrighi 1993:
182).
Pode-se observar que a ordem hegemônica estabelecida pelos
EUA no mundo capitalista no pós-Segunda Guerra transcende o poder
bélico e tem nas instituições internacionais (organizações
interestatais e corporações privadas) seus pilares de legitimação e
imposição da ordem. No entanto, o consenso atingido através de alianças
e instituições não poderia dispensar o elemento militar, principal
mecanismo de poder entre as potências da Guerra Fria. Para Magdoff
(1975), o imperialismo e o militarismo são fatores determinantes da
evolução e da supremacia tecnológica americana, assim como da
repatriação das riquezas para o interior do país. A guerra deve ser
entendida em seu sentido amplo, abarcando todos os tipos de intervenção
militar (Magdoff 1975: 33). As despesas militares americanas têm
impacto na provisão de matérias-primas, desenvolvimento de bens
duráveis e pesquisa tecnológica de alto nível, tendo impactos assim em
toda a economia.
Para Panitch/Gindin, o imperialismo atual se
caracteriza pela capacidade do Estado americano de penetrar e coordenar
os outros Estados líderes capitalistas. O dinamismo do capitalismo
americano e o seu apelo mundial, combinado com uma linguagem
universalista da ideologia de democracia liberal, apoiam a capacidade
do império informal de ir além dos impérios anteriores. Segundo os
autores, somente o Estado americano reivindicava para si o direito de
intervir contra a soberania de outros países, e somente ele reservou
para si o direito “soberano” de rejeitar normas e regras
internacionais, quando necessário. Neste sentido, only the American State was actively ‘imperialistic’
(Panitch/Gindin 2004: 16). Assim, a ordem capitalista mundial se
organizou e regulou pela via de reconstrução de outros Estados como
elementos integrais do império informal americano.
Os autores se
diferenciam dos teóricos críticos baseados em Gramsci, ao afirmarem
que, mesmo com toda a penetração cultural e econômica, nunca houve uma
“transferência de lealdade popular direta” de outros povos aos EUA
(Ib.: 32). Tampouco os EUA tiveram que incorporar demandas das classes
subordinadas em outros Estados dentro da construção de seu império. O
consentimento ativo para a dominação do império informal sempre foi
mediado pela legitimidade que os outros Estados mantinham para si em
nome de qualquer projeto particular do Estado americano (Ib.). De todo
modo, o recorrente uso de intervenções militares ao redor do mundo
demonstra que esta legitimidade foi muitas vezes difícil de ser
alcançada, e a formação de um consenso dentro das instituições
hegemônicas não é suficiente.
A centralidade da força militar em combinação com a força econômica dos EUA é caracterizada por Wood como surplus imperialism
(Wood 2003: 143). Por que um aparato militar tão grande quando não há
um inimigo claro a ser combatido? Este é o paradoxo do novo
imperialismo. O poder militar não está desenhado para conquistar novos
territórios nem derrotar um inimigo, não busca dominação territorial ou
física, mas contraditoriamente produziu uma capacidade militar
desproporcional com alcance global. Isso de dá, segundo a autora,
precisamente por não haver inimigos nem objetivos claros e finitos: a
dominação sem fronteiras de uma economia global e um múltiplo sistema de
Estados para administrá-la requerem ação militar sem propósito, tempo e
fim (Ib.: 144). Substituem-se doutrinas tradicionais de guerra por um
novo princípio de “guerra sem fim”, pelo qual ações militares são
justificadas sem expectativa de que seu objetivo será alcançado (Ib.:
149). Diferentemente do antigo, que se baseava na expansão do capital
para áreas pré-capitalistas, o novo imperialismo se baseia na própria
universalidade do capitalismo. Wood ressalta que a força militar apoia
seu alcance global. Enquanto os imperativos de mercado têm um alcance
que vão além do poder de um único Estado, estes mesmos imperativos têm
que ser reforçados pelo poder extraeconômico (Ib.: 152-4). Por ironia,
num sistema globalizado onde supostamente o Estado-nação estaria
desaparecendo, a ordem global se mantém por um sistema de múltiplos
Estados, onde importa quais são as forças locais que governam e como
[6].
5. Conclusão
O presente trabalho
procurou rever parte da literatura sobre imperialismo e hegemonia,
verificando seus diferentes usos e definições. Observamos que a linha
divisória entre ambos os conceitos é tênue. De um lado, o termo
hegemonia foi usado de forma mais ampla por autores marxistas e
não-marxistas para indicar uma ordem mundial estável e “benévola”, ou,
ao contrário, uma ordem de dominação e imposição construída a partir de
instituições que organizam o consenso e a coerção. De outro, o termo
imperialismo (ou Império) foi usado por autores marxistas e críticos
para indicar uma estrutura de poder que tem a partir do Estado
americano o epicentro do capitalismo global. Em alguns casos, a ênfase
nos meios de dominação econômico e militar leva à caracterização da
ordem mundial como imperialista. Em outros, a ênfase nas instituições,
no soft power e nas concessões a poderes menores leva à
caracterização da ordem como hegemônica, que também pode ser vista a
partir da perspectiva gramsciana de universalização de regras, normas e
valores particulares.
Lembramos que “uma teoria é sempre para
alguém e para algum propósito” (Cox 2000). Todas as teorias têm uma
perspectiva, que deriva de uma posição em tempo e espaço político e
social. Parece pertinente a divisão de Cox entre “solução de problemas”
e teoria crítica: a primeira diz respeito a problemas particulares
dentro de uma ordem mundial tida como dada, sendo que a solução destes
problemas objetiva o melhor funcionamento e a manutenção da própria
ordem, e não a transformação desta; a segunda, ao contrário, se dirige
ao complexo social e político como um todo, buscando as origens
históricas e as relações sociais e de dominação que prevaleceram em uma
determinada ordem mundial, para entender suas dinâmicas e buscar sua
transformação (Ib.). Autores que escrevem a partir do centro de poder,
os EUA, com a intenção de explicar sua ascensão e entender seu
declínio, mantêm intactas as premissas do sistema capitalista. Já
autores marxistas e da teoria crítica buscam explicar a ordem de
dominação e poder (ora caracterizada como hegemônica, ora como
imperial) com a perspectiva de transformação histórica do sistema em
sua totalidade. É necessário compreender ambas as perspectivas para dar
conta de uma realidade social complexa e contraditória.
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Anna Saggioro Garcia é doutoranda em Relações Internacionais na PUC-Rio. Membro da Fundação Rosa Luxemburg.
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Notas
[1] O imperialismo é o domínio do capital financeiro e implica o domínio do rentier ou oligarquia financeira (Ib.: 59). Para Lenin, rentiers são aqueles que vivem de uma renda, “parasitas” e não investidores. Estados-rentiers são os poucos Estados credores frente à grande maioria de Estados devedores (Ib.: 102-3).
[2]
Impérios informais requerem a penetração econômica e cultural nos
outros Estados, sustentada pela coordenação política e militar com
governos independentes. O principal fator que determinou a mudança na
extensão de impérios formais após 1880 foi a inabilidade da Inglaterra
em incorporar os recentes poderes emergentes, Alemanha, EUA e Japão, no
seu “imperialismo de livre-comércio” (Ib.: 22).
[3] Para
Keohane, regimes internacionais são modelos de comportamento
cooperativo regulado na política mundial. Regimes fortes estabelecem um
comportamento ordenado e previsível segundo padrões comuns aos
participantes, enquanto, em regimes fracos, as regras se interpretam de
forma diferenciada e são frequentemente rompidas (Ib.: 112).
[4]
Arrighi diferencia entre caos e anarquia. Caos é a falta de ordem
generalizada, enquanto anarquia é a falta de uma autoridade central,
podendo ser ordenada através de princípios, regras e normas comuns entre
todos.
[5] Europa e Japão aceitaram o papel dos EUA como
“banqueiro mundial” e apoiaram o dólar como reserva em troca de ter sua
segurança garantida pelos EUA. Assim, estes puderam manter seu déficit
fiscal sem constrangimento, o que possibilitou sua expansão militar e
de capital para fora (Ib.: 154 s.).
[6] A desordem criada pela
ausência de poder de Estados efetivos (“Estados falidos”,
“semiestados”, “eixo do mal”) ameaça um ambiente previsível e estável
necessário para o capital, e devem ser colocados novamente em “ordem”
na órbita dos EUA (Ib.: 156).
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fonte: http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=1211
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