Ótimo estrategista militar, o rei dos francos, comandou vitórias contra saxões, mouros e lombardos. E, para expandir o primeiro império medieval, foi um político habilidoso
Maurício Bonas | 01/11/2005 00h00
Carlos Magno era chamado Pai da Europa, e não à toa. Ele sabia
também como comandar exércitos e administrava os territórios anexados
com eficiência. Assim, construiu um império que se estendeu pelos atuais
territórios da França, Alemanha, Países Baixos, Hungria, Itália e parte
da Espanha.
Antes de Magno, a Europa era dividida, ao sabor das guerras, em
dezenas de pequenos reinos. Carlos Martel e Pepino, o Breve,
respectivamente o avô e o pai de Magno, já haviam iniciado um processo
de anexação territorial e de centralização política para tentar melhorar
o quadro. Carlos Magno herdou a coroa e o papel de terminar essa tarefa
e expandir o reino dos francos.
Para isso, recebeu na adolescência educação dos melhores professores
católicos da época. Quando coroado, em 800, virou um rei que costumava
dizer-se bom cristão – mas, nos bastidores da corte, recebia amantes e
concubinas. Só que era um soldado aplicado. Até porque foi muito bem
preparado para liderar tropas e lutar em batalha. A partir da instalação
de sua corte, Magno se envolveu em mais de 50 campanhas militares, a
maioria ele comandou pessoalmente e venceu.
Antes de virar rei, Magno esteve à frente de nada menos que 18
operações de guerra para conseguir bater os saxões em 785. Nos anos
seguintes, já como rei dos francos, derrotou os eslavos e esmagou os
ávaros (povo da região onde fica hoje a Hungria) após uma década e meia
de guerras. Enviou, na seqüência, uma armada para a Espanha,
conquistando Barcelona. Suas tropas venceram também os saxões, na atual
Alemanha, e Magno obrigou o comandante Witkind a se converter ao
cristianismo. O exército franco ainda abateu os lombardos, na Itália – e
ali Carlos Magno ordenou que colocassem o rei Desidério num convento.
A estratégia de Carlos era obrigar as populações dominadas a se
cristianizar, o que levou a Igreja a apoiá-lo. Depois de conquistar
territórios, repartia o poder político local em condados administrados
por marqueses e condes, prepostos de seu governo. Para dar uma unidade
cultural, Carlos impunha versões simplificadas do idioma latino e criou
escolas que cuidaram de recuperar as obras clássicas greco-romanas. Vem
desse período o uso do órgão e o canto gregoriano nas missas.
Embora a grande nação européia construída por Magno tenha se
fragmentado logo após sua morte, a dinastia consolidada por ele se
manteve na França até 987. A nação criada por Carlos foi picotada em
três – França, Lotaríngia e Germânia. Em sua biografia de Charlemagne
(nome do rei em francês), o professor Jean Favier, da Sorbonne, nota que
a história só guardou dele a imagem do militar que vencia batalhas.
Mas, mesmo que o império tenha se esfacelado – por causa das
dificuldades de comunicação e da diversidade dos costumes – , as cidades
européias se desenvolveram e algumas, como Paris, viveram um salto de
cultura no período em que Magno foi rei.
Nenhum comentário:
Postar um comentário