
(1587-1663)
Nzinga Mbandi Ngola
Indomável e inteligente
soberana (1624-1663) do povo Ginga de Matamba e Angola e nascida em
Cabassa, interior de Matamba, que altaneira e silenciosa conseguiu juntar
vários povos na sua luta contra os invasores portugueses e resistiu até ao fim
sem nunca ter sido capturada, tornando-se conhecida pela sua coragem e argúcia.
Do grupo étnico Mbundu, era filha do rei dos mbundus no
território Ndongo, hoje em Angola, e Matamba, Ngola Kiluanji, foi
contemporânea de Zumbi dos Palmares (1655-1695), o grande herói afro-brasileiro, ambos pareceram compartilhar de um tempo e de um espaço comum
de resistência: o quilombo.
Enviada a Luanda pelo seu meio irmão e rei Ngola
Mbandi, para negociar com os portugueses, foi recebida pelo governador
geral e pediu a devolução de territórios em troca da sua conversão política ao
cristianismo, recebendo o nome de D. Anna de Sousa. Depois os
portugueses não respeitaram o tratado de paz, e criaram uma situação de
desordem no reino de Ngola. A enérgica guerreira, diante da gravidade da
situação e da hesitação de seu irmão manda envenená-lo, tomando o poder e o
comando da resistência à ocupação das terras de Ngola e Matamba. Não
conseguindo a paz com os portugueses em troca de seu reconhecimento como rainha
de Matamba, renegou a fé católica, aliou-se aos guerreiros jagas de
Oeste e fundou o modelo de resistência e de guerra que constituía o quilombo.
Com sua política ardilosa, conseguiu formar uma poderosa coligação com os
estados da Matamba, Ndongo, Congo, Kassanje, Dembos e Kissama, e comandou a
resistência à ocupação colonial e ao tráfico de escravos no seu reino por cerca
de quarenta anos, usando táticas de guerrilhas e de ataques aos fortes
coloniais portugueses, incluindo pagamentos com escravos e trocas de reféns.
Após a assinatura de um tratado (1656) com o governador geral, que
incluiu a libertação de sua irmã Cambu, então convertida como Dona
Bárbara e retida em Luanda por cerca de dez anos pelos portugueses, e
sua renúncia aos territórios de Ngola, uma paz relativa voltou ao reino de
Matamba até a sua morte, aos 82 anos, sendo sucedida por Cambu,
continuadora da memória de sua irmã, mas já estava em curso o declínio da
Coligação.
Dois anos mais tarde, o Rei do Congo empenhou todas as suas forças
para retomar a Ilha de Luanda, ocupada por Correia de Sá, saindo
derrotado e perdendo a independência, e no início da década seguinte o Reino do
Ndongo foi submetido à Coroa Portuguesa (1771). A rainha quilombola de Matamba
e Angola tornou-se mítica e foi uma das mulheres e heroínas africanas cuja
memória desafiou tempo, dando origem a um imaginário cultural que invadiu o
folclore brasileiro com o nome de Ginga, despertou o interesse dos
iluministas como no romance Zingha, reine d’Angleterre Histoire africaine
(1769), do escritor francês de Toulouse, Jean-Louis Castilhon, inspirado
nos seus feitos, e foi citada no livro L'Histoire de l'Afrique, da
publicação Histoire Universelle (1765-1766).
Ainda hoje é reverenciada
como exemplo de heroína angolana pelos modernos movimentos nacionalistas de
Angola. Sua vida tem despertado um crescente interesse dos historiadores,
antropólogos e outros estudiosos do período do tráfico de escravos. Sua
resistência à ocupação dos portugueses do território angolano e o consequente
tráfico de escravos, tem sido motivo de intensos estudos para a compreensão de
seu momento histórico, caracterizado por sua habilidade política e espírito de
liderança desta rainha africana na defesa de sua nação. Também é conhecida como
Jinga, Zhinga, Rainha Dona Ana e Rainha Zinga.
Diz
a historia que assim foi por intermédio da grande rainha que o povo
banto conseguiu recuperar sua tradição cultura e religiosidade pois
fazia gosto em ver o Mukanda (ritual de iniciação para homens), pois os
Akixe são bailarinos que dançavam invocando os espíritos dos ancestrais.
Hoje
as histórias de Nzinga são lembradas pelas comunidades antigas que
levam a tradição sócio-cultural e religiosa em frente .
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